“Pra amar, tem que conhecer. Pra amar, tem que se perceber. Pra amar, tem que doer um pouco. Porque dói, é uma descoberta, é uma mudança, é um se ver no outro, é um ver o outro exatamente como ele é - e ainda assim amar.
“Mas eu gosto de suas desconfianças, sempre vão mostrar um pouco que se importa comigo. Gosto quando briga sem motivos, cria ciúmes irreais, quando vê que não existe nexo, e ri de si mesmo. Gosto de aprender com você, assim como você gosta de duvidar de mim. Cada interrogação sua, assim como suas ironias vão mostrar que existe um eu em você, mesmo que seja pouco, mas existe.
“— Ei, volte aqui com minha blusa.
— Você vai precisar ser boa para correr. Vamos ver se consegue me alcançar.
— Vou contar até três para você voltar até aqui.
— Provavelmente irá perder seu tempo.
Ela finalmente resolve correr atrás dele.
— Sério que não vai me entregar o que pertence a mim?
Ele olhou no fundo dos olhos dela.
— Você está falando da blusa?
— Oras, do que mais poderia ser?
— Nada, é só que… — Desconcertado, ele perde o ritmo da fala.
— É só que?
— Nada mesmo, deixa para lá.
— Não deixo.
— Deixa.
— Para com isso, por favor.
— Isso…?
— Me confundir.
— Não era minha intenção.
— Mas fez.
— Desculpe-me.
— Não se desculpe.
— Perdão?
— Porque?
— Por te amar.
— E você ama?
— Amo.
— Quanto?
— Até o fim de nossas vidas.
— Não seria “Até que a morte nos separe”?
— Não, ela não vai separar.
— E vai me dizer o que quis dizer com “É da blusa que está falando”?
— Há algo mais que uma blusa aqui que é seu.
— E o que é?
— Meu coração.
— Hm… E o meu?
— O que tem ele?
— A quem pertence?
— Não sei, a quem?
— Ao seu.
— Ao meu?
— Ao seu eu.
— (risos) Eu morreria por você.
— Eu morreria sem você.
“Menino,
você me faz perder o ar
você é o mais estranho rapaz que vi cheg-ar,
esse seu sorriso, fez-me delir-ar,
seus cabelos fez-me apaixon-ar,
e quero suas mãos a me acarinh-ar,
e o pra sempre em seus braços est-ar.
—
Nounouse, um pouquinho de Ar-linda. (via
invernei)